sábado, 16 de julho de 2011

Música de tiozinho... literalmente!

Há algumas décadas, existia um clube (um tipo de balada da época, eu imagino) em Havana, capital de Cuba, chamado Buena Vista. Lá tocavam os melhores músicos do país e, durante um tempo, fizeram bastante sucesso. Depois que o clube fechou as portas, cada um seguiu o seu caminho e fez o que podia para sobreviver. Ibrahim Ferrer, considerado o "Nat King Cole cubano", por exemplo, vendeu tickets de loteria, virou engraxate. Segundo suas próprias palavras, "tinha filhos para sustentar".

Os anos passaram e muitos dos maiores artistas de Cuba foram esquecidos.

Em 1996, mais de 40 anos depois do fechamento de Buena Vista, o produtor musical norte-americano Ry Cooder viajou a Havana, inspirado por uma canção que ouvira em uma fita nos anos 70. Ry tinha em mente a idéia de reunir os músicos da "velha guarda" cubana. Pouco a pouco, Cooder os encontrou. Nasceria daí, o disco Buena Vista Social Club, sucesso de vendas e de crítica e que trazia de volta da obscuridade os talentos de Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Eliades Ochoa, entre outros. Alguns deles já na casa dos 90 anos.
Impressionado com isso, em 1998 Ry Cooder retornou a Havana para gravar o CD solo de Ibrahim Ferrer. Entretanto, desta vez levara consigo o seu amigo e cineasta alemão Wim Wenders e ambos produziram o documentário Buena Vista Social Club. Nesse filme, indicado ao Oscar de Melhor Documentário, há entrevistas com as lendas da música cubana e trechos de um show na Holanda e da última apresentação com todos os integrantes do grupo, em Nova York (julho de 1998).
É o tipo de música que, antes de saber de onde vem, você pensa: "Meu, isso tá com uma cara de música cubana!". Coisa bem latina mesmo. Pra quem não está acostumado com esse tipo de música, é meio difícil se adaptar. Até mesmo eu ficava um pouco com o pé atrás, até que vi o documentário.
Arrepia. Recomendo para quem for assistir o filme, que ouça o CD primeiro, para se habituar. Depois, quando vê o filme, você meio que associa essa ou aquela música com as identidades de cada artista.

Ibrahim Ferrer

Omara Portuondo







Rubén González

No final, uma única cena já vale pelo filme todo, quando no final da música "Candela", de Ibrahim Ferrer no Carnegie Hall em Nova York, vemos a expressão no rosto daqule senhor de pouco mais de setenta anos. Não é essa cena que vou postar abaixo (sinto, mas você vai ter que ver o filme), mas a música é a mesma...

Buena Vista Social Club - Candela
video

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