As pessoas que me conhecem sabem que esse blog não teria realmente a minha cara enquanto eu não falasse da maior série de TV de todos os tempos (em todo o Universo):
Chaves.
Costumo dizer que alguns programas de TV fizeram parte de determinados momentos da minha vida. Jaspion e Castelo Rá-Tim-Bum (infância), Early Edition e os filmes da Sessão da Tarde (tempos de escola), Smallvile (final da adolescência) e House (fase "atual").
O único programa de TV presente em TODOS os momentos da minha vida foi Chaves, desde o tempo antes de eu vir morar em Itaquá, há milhões de anos. Isso acaba sendo natural, se pensarmos que o SBT começou a passar Chaves antes mesmo de eu nascer.
Nos anos 90, antes dessa fase "internet" em que vivemos, correu o boato por aí de que os atores da série haviam morrido em um acidente de avião. Eu mesmo cheguei a ouvir essa história várias vezes e de várias pessoas diferentes. Felizmente, desde a infância eu já era um piralho meio cético (nunca acredite em 100% das coisas que as pessoas dizem, assim como nas coisas que a TV diz) e não dava muito crédito para essas coisas.
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| "É você, Satanás? Fora daqui!" |
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| "Agora, um bom banhozinho... bonitinho" |
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| "Outro gato!" |
Hoje, sabe-se que muitos deles estão vivinhos da silva. Roberto Gómez Bolaños (o Chaves), está com 81 anos e circula por aí o boato de que estaria produzindo um longa live action do Chapolin Colorado. Florinda Meza (adivinhe quem) é a sua esposa. Carlos Villagrán (o Quico) estava, há pouco tempo, fazendo uma excursão pelos países latino americanos se despedindo do personagem. Maria Antonieta De Las Nieves (a Chiquinha) ainda faz apresentações com a personagem. Edgar Vivar (o Seu Barriga) está na ativa como ator, fazendo filmes e novelas. Rubén Aguirre (o professor Girafales) sofreu um pequeno acidente de carro no final do ano passado e afirmou, há algum tempo, estar passando por problemas financeiros.
Do elenco clássico, morreram de verdade Ramón Valdés (o Seu Madruga), Angelines Fernández (a Bruxa do 71, digo, a Senhorita Clotilde) e o Horácio Gomes Bolaños (o Godinez).
Quem não conhece as frases clássicas: “Foi sem querer querendo”, “Ora, mas não se irrite!” ou “gentalha, gentalha!”?
Chaves não é unanimidade, embora a maioria das pessoas realmente goste. Os intelectuais (ou metidos a) odeiam. O povão adora. Eu não me encaixo em nenhum desses dois grupos, mas, pra mim, Chaves é o melhor programa humorístico de todos os tempos, fácil, fácil. Não apela para piadas com teor sexual. E, embora os atores sejam adultos interpretando papéis de crianças, dificilmente se consegue enxergar o Chaves sem ser um menino de rua de oito anos de idade, assim como o Quico (não se escreve “Kiko”!) é aquele moleque “filhinho da mamãe” que todo mundo já conheceu na infância.
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| "Vou passar catapora pra todo mundo!" |
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| "O que é isso?" |
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| "Jóia! É uma nova dança? Eu vou entrar nessa!" |
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| "Mexe que mexe, mexe que mexe..." |
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| "...mexe que mexe, mexe que mexe!" |
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| "GRRR, a culpa é do senhor por deixá-la sair!" |
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| "Que culpa é essa, gatinha? (mexe que mexe)" |
Sinceramente, acho que é aí mesmo que está a graça: na inocência e verossimilhança (sempre odiei essa palavra) dos personagens. Qual criança nunca sentiu medo de um adulto, como o medo que as crianças sentem da Bruxa do 71? Qual dono de cortiço (tipo, o João Romão) nunca teve problemas com algum inquilino por falta de pagamento do aluguel? E qual inquilino nunca precisou se esconder do senhorio? Qual adulto nunca sentiu vontade de dar um beliscão naquele filho da vizinha que só apronta?
Vocês entenderam meu ponto de vista, não é?
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| "Eu ganhei 100 cruzeiros da Dona Florinda pra varrer o pátio" - "Pois eu te invejo, Chaves" |
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| "Toma!" |
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| (glup) |
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| "Mas que fique bem varrido, hein!" |
Embora a maioria das pessoas não goste de admitir, Chaves é um daqueles raros programas em que se dá risada mesmo se visto três mil e quatrocentas e quinze vezes. Tipo, a cena em que o Quico está brincando de ambulância (essa tem duas versões):
- Aaaaaaaaaahhhhh...
- Quico, o que foi, o que foi?!
- ... bessstaaaa, é a sirene da ambulânciaaaaa. (a outra versão diz “é a ambulância, besstaaaaa”).
Silvio Santos ("ôeeee") já declarou que Chaves é um tipo de “curinga” na programação do SBT. Quando precisa de uma média de audiência regular, põe o programa em determinado horário. O povo da vizinhança já brigou (e ganhou!) com o Globo Esporte, com Malhação, com o Jornal Nacional. Já tivemos até a briga peculiar “Chaves do Oito versus Novela das Oito”.
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| O episódio de Acapulco, o último com Quico no programa |
Hoje em dia, com a internet, é possível saber bastante coisa sobre a história do seriado. Um dos sites realmente confiáveis sobre o programa é o www.chavodel8.com, que por sinal, não é mexicano. O site, através do texto do peruano Miguel Durand, diz que o mexicano Roberto Gomes Bolaños, o Chespirito (chamado assim por já ter sido considerado uma espécie de Shakespeare em miniatura), antes de virar ator era engenheiro, jogador de futebol e lutador de boxe amador. Como escritor de programas de TV e de rádio, se tornou conhecido no meio artístico quando, no final dos anos 60, teve sua primeira chance de produzir algo realmente seu. Suas primeiras investidas foram as séries El Ciudadano Gómez e Los Supergenios de La Mesa Cuadrada. Este último contava com Chespirito interpretando o Doutor Chapatín (“isso me dá coisas”), Rubén Aguirre já como o Professor Girafales (Jirafales, no original), Maria Antonieta de Las Nieves como a apresentadora e Ramón Valdés como um personagem bêbado (a versão mexicana do João Canabrava, talvez?). Esse quarteto seria a base para o que se tornaria o elenco do Chaves.
Pouco tempo depois, Bolaños já tinha um programa chamado Chespirito, uma espécie de Zorra Total da época, com vários quadros humorísticos. Dois desses quadros viriam a se tornar os dois programas de maior sucesso de Bolaños: El Chapulín Colorado (o maior herói que o mundo já teve) e El Chavo del 8 (porque passava no canal 8).
Pouco a pouco, o elenco foi se completando: Florinda Meza (diz a lenda que ela seria auxiliar de limpeza da emissora, o que não foi confirmado); Edgar Vivar (médico, mas que gostava mais de atuar); Carlos Villagrán, então amigo de Ruben Aguirre; Angelines Fernández, atriz de origem espanhola; e, por fim, Horácio Gomes Bolaños, irmão de Chespirito, que participou ativamente pouco como ator, trabalhando mais na parte de divulgação da série.
Esse elenco “clássico” ficaria junto até 1978, quando Carlos Villagrán e depois Ramón Valdés deixaram a série. Essa transição é mostrada na fase do restaurante da Dona Florinda. Note que não há episódios com o Seu Madruga e nem com o Quico nesses episódios, assim como não há episódios em que eles contracenam com o carteiro Jaiminho (“sou de Tangamandápio”).
Nos primeiros episódios da série, o Seu Madruga morava na casa que depois seria a da Dona Florinda. Ele também usava uma camisa amarela e tinha um chapéu diferente daquele que ficou conhecido no Brasil. Dona Florinda não usava aqueles trecos de mulher no cabelo (como se chama mesmo aquela p...?), Quico não chorava encostado na parede e o Seu Barriga (pasme) era só o cobrador de aluguel, não o dono da Vila. Uma das poucas coisas constantes desde o início do programa era a paixonite da Bruxa do 71 (digo, Dona Clotilde) pelo Seu Madruga.
Entre os personagens secundários (alguns apareceram somente uma vez), os mais conhecidos aqui no Brasil foram:
O policial que cobra a taxa de licença (ISS?) do Seu Madruga quando este se lança como empresário artístico (“Todos devem pagar impostos. E ainda é tempo!”). Este episódio é da temporada de 1974;
Senhor Carequinha, um possível comprador da Vila, quando o Senhor Barriga a colocou à venda (“me recuso a dever os 14 meses de aluguel a um senhor careca”, disse Seu Madruga);
Senhor Furtado, residente na Vila e ladrão (Ladrão! Ladrão!) de mão cheia; Está naquele episódio em que o Chaves foge da Vila (e todo mundo que assiste fica com dó!);
Gloria, a nova vizinha. Foi interpretada por três atrizes diferentes, mas apenas duas apareceram em episódios daqui. Paixão secreta do Seu Madruga;
Madroga (Madroga???), o primo do Seu Madruga. Apareceu em um único episódio. Chama-se Don Román, no original;
Por aqui, nos últimos anos e com o surgimento de novas gerações, Chaves parece ter perdido um pouco da popularidade, o que é natural. A própria visão das pessoas com relação à série também mudou, como por exemplo, o fato de o Seu Madruga ter virado personagem cool. Na internet, assim como em algumas camisetas por aí, você vê várias montagens do personagem fazendo paródias com outras "mídias"
Eu, particularmente, acho um p*¨¨¨$% sacrilégio.
Chaves, pra mim, é sagrado, além de eterno.
















































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