terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Onírico

A nossa mente às vezes apronta.

Sonhos são esquisitos e às vezes bem assustadores. Não sei exatamente se o Reino do Senhor Morpheus tem as suas próprias regras ou se é pessoal para cada um, mas a verdade é que no meu caso, costumo sonhar bastante nas noites mais frias. Ou então são das noites mais frias que tenho os sonhos dos quais me lembro. Ou sei lá.

Alguns são bem reais. Certa vez, há quase cinco anos, tive um no qual percebi que estava sonhando e lutava para acordar. No sonho, tentei gritar e senti o meu corpo real reponder, mas o grito não saía. Contudo, antes de perceber que estava sonhando, eu sabia que havia alguma coisa à espreita do lado de fora do quarto e abri a porta para me certificar do que era. Quando abri, a coisa entrou e passou, gritando, através de mim, como um fantasma. Um fantasma com presas. Quando finalmente consegui acordar - depois de muita luta - acendi a luz do quarto para me certificar de que estava tudo bem. Mas relutei em dormir de novo.
Me lembrei desse sonho em particular por causa dos aspectos reais dele no que se refere aos sentidos. Me lembro que, na parte em que abri a porta do quarto e entrei no corredor, eu estava descalço e senti de verdade o piso frio sob meus pés.

Mencionei isso porque tive outro desses há poucos dias. Um que me fez acordar pouco antes das duas da manhã, molhado de suor. Neste, eu estava sozinho em uma noite de São Paulo, em uma região com algumas baladas - Vila Madalena, talvez. Em frente a uma delas, um policial parou um grupo de jovens e encontrou algumas drogas com um sujeito do grupo. Eu, estranhamente diferente do Augusto do mundo real que acha que cada um deve cuidar da própria vida (mas que ambém odeia filhinhos de papai que acham que podem fazer tudo que querem), confirmei para o policial que vi o cara portando aquelas coisas. O problema é que o policial estava sozinho e começou a agir como se não soubesse o que fazer. Talvez fosse um novato. Ou simplesmente um idiota.
Logo, quando ele não estava olhando, o jovem que estava com as drogas gesticulava pra mim que, quando o policial não estivesse mais ali eu estaria fodido, que não sei o que lá. Obviamente - e com razão - eu fiquei com medo. 
Como sonhos são estranhos e o diretor deles não parece ligar muito para sutilezas no corte de uma cena para outra, na seguinte eu estava a caminho de casa, na rua e estava amanhecendo. Adivinha quem eu encontrei? Sim, ele mesmo, meu nêmesis onírico, o que me fez correr para dentro de uma casa em construção (???). Resolvi parar de correr e tentar dialogar com ele, que avançava para mim ameaçadoramente. É nesse momento que tive aquela sensação real de tato. No mundo real, eu tenho uma camiseta vermelho-escura de um tecido que lembra seda, mas é levemente elástico. No sonho, eu a estava usando e coloquei a mão direita na barriga, talvez em um gesto de defesa. Senti o contato do tecido com a mão. O cara veio se aproximando, dizendo que só queria conversar, mas eu sabia que era blefe. Em seguida, quando comecei a me aproximar da saída, a garota que estava com ele na noite anterior apareceu do nada e me segurou pelo pulso. Ele pediu que ela me mantivesse ali enquanto ele ia dar uma olhada nas saídas da casa para ver se não haveria ninguém olhando. E que, quando voltasse...

Acordei.

E, me sentindo mal por ter agido feito um covarde e ainda meio tonto de sono, tentei voltar ao sonho para terminar a questão - acho que todo mundo já tentou fazer isso alguma vez. É claro que não consegui, mas mesmo assim fiquei pensando no que teria feito se tivesse voltado. Primeiro, a garota. Eu poderia imobilizá-la com facilidade, mas se escolhesse fugir teria que me certificar de qual saída usar (haviam duas). Então, eu não teria muito tempo.
Contudo, ao invés disso, decidi levá-la, com uma arma apontada para a cabeça (de onde tal arma surgiu eu não sei, porque sei que no sonho ela não estava) para algum dos cômodos não terminados da casa e esperaria que ele voltasse.
Teria uma conversinha com ele.

Assustador. Brrrr...

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